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Tronco de Natal Algarvio

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Hoje vou partilhar a melhor receita, para mim, de Tronco de Natal, que todos os anos a minha querida mãe fazia, para nos adoçar a boca. Ainda hoje o faço, para que as memórias familiares continuem vivas, nos nossos sentidos: o maravilhoso cheiro a chocolate; o gosto único da união perfeita dos sabores a chocolate negro, misturado com a amêndoa, ligada à chila e aos ovos moles e finalmente a visão de um verdadeiro tronco exibido com orgulho na mesa de Natal, em memória à minha mãe. Ingredientes Massa base: 1 chávena almoçadeira de ovos moles 2 chávenas almoçadeiras de amêndoa sem pele e moída 2 chávenas de doce de abóbora chila (pode ser frasco de compra) Cobertura: 250g de chocolate preto para culinária (pode ser Belleville) 1 colher de sopa de manteiga 2 colheres de sopa de açúcar fino 1 cálice de leite Confeção: Primeiro confecionam-se os:   Ovos Moles da seguinte maneira: Separam-se as gemas de seis ovos (guardam-se as claras para outro...

FILHO ÉS PAI SERÁS!

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Há muitos anos atrás, numa terra distante, havia uma tribo que tinha por tradição abandonar os pais, quando  estes, após uma determinada idade, já não podiam trabalhar e contribuir para a comunidade, sendo apenas um estorvo para os  filhos. Carregavam-nos então para um lugar afastado da sua aldeia, cujo nome era “O Monte da Morte” onde os filhos deixavam os velhos pais, à sua sorte, até que estes morressem de fome, de frio ou devorados pelos animais selvagens. Numa certa família, havia então chegado a hora de ser aplicada essa tradição, pois o velho pai tinha acabado de completar oitenta anos, e as forças já há muito tinham abandonado o seu debilitado corpo, impedindo-o de trabalhar para ajudar os filhos. Coube então ao filho mais novo, um homem dos seus quarenta anos de idade, dar cumprimento a essa cruel tradição. Mal raiou o sol o homem, que também já era pai de um rapaz, de nove anos, levantou-se e correu a despertar o filho para este o ajud...

Poema à Natureza

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Ó quanta beleza possuis Natureza bela e pura Desde os lagos de águas azuis À pedra mais rara e dura De manhã bem brilhante o sol surge E com ele o murmúrio do abrir das flores Perto daquele regato que agora ruge Ao levar dos corações as dores E nesta alvura matutina refletida Os raios de sol no firmamento São lágrimas de luz emitida Que vai dissipar os sopros do vento E as andorinhas em grande chilreada Uma canção entoam, de acordes cristalinos O seu sinal de alegria bem amada, Que muitos de nós não emitimos...                                                                                                             Madalena Valente Faro, 1970  ( 15 anos de idade) ...

Epanadilhas (Azevias) de Batata Doce

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Na minha família, o Natal era uma festa de cheiros quentes, de fritos, canela, laranjas, perú e de tantos outros de iguarias, que a minha mãe só fazia  naquela quadra. Risos e canções de Natal enchiam a casa de meus pais, numa alegria contagiante a todos os membros da família, que  aí se reuniam, para festejar juntos a Ceia e o Almoço de Natal. Uma das cenas típicas, que jamais esquecerei, era a de todos ajudarmos a sovar a massa, das empanadilhas, para que estas ficassem tenras, assim dizia a minha mãe! Vingava-mo-nos a bater na massa, como se esta fosse nossa inimiga, rival ou até sogra, na opinião do meu cunhado Carlos, em tom brincalhão. Por isso recordando esse tempo, vou começar a preparar o Natal convosco, passando-vos estas receitas, que foram partilhadas de geração em geração na minha família, fazendo sempre parte do nosso menu Natalício. A primeira de todas só podia ser então as célebres Empanadilhas de Batata Doce. INGREDIENTES: 1/2 Kg de Farinha de Trigo...

O Homem que quer afiar o machado

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Esta história que vos vou contar hoje tem a ver com a hipocrisia e as falsas palavras de amabilidade que certas pessoas usam para nos comprar a atenção e simpatia. Ela serve de lição aos mais novos e aos ingénuos incautos. É uma história muito antiga que me foi contada pelo meu avô materno, na sua sabedoria de homem vivido e viajado, que lutou na Primeira Guerra Mundial. Há muitos anos atrás, no tempo em que ainda não havia eletricidade e tudo era feito à mão, vivia numa aldeia um rapazinho, de pouca idade, cujo pai era amolador de facas e machados. Numa fria manhã de Inverno, estava ele sentado à soleira da sua porta e veio ter com ele um homem que segurava, nas mãos um reluzente machado, ainda por afiar. O homem em falas mansas perguntou ao rapaz: - Meu querido rapazinho, não terá, por acaso, o teu pai uma pedra ou roda de afiar?  - Tem sim, meu senhor - apressou-se o rapaz em responder. - Como tu és bonito e forte, deves ser o rapaz mais bonito aqui da aldeia! Mas ol...

Amo-te

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Olho a cortina do tempo Envolto em neblina, Onde o verde amadurece,  Nas bagas do teu olhar; E eu desejo gritar, Um grito vindo das minhas entranhas, Que se espalha no ar e vibra nas estrelas, Feito eco a cantar o meu amor às montanhas. Olho o horizonte lá longe E tu tão perto ao meu lado. Perscruto o espaço onde se reflete o universo,  Policromado de sentimentos ternos, Feito de abraços, no sorriso dos  meus lábios. Sinto o ar que respiras, como fonte quente Que me embala e segura num deleite sem pressa; Encosto a cabeça no teu ombro e sem medo Digo, sussurro: Amo-te! Madalena Valente

Alimentação Saudável - Colesterol

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C ada vez mais é preciso estar informados sobre a origem dos produtos que comemos .      Nós somos aquilo que comemos (já dizia Hipócrates, o pai da medicina) e eu sou uma das provas disso, pois foi só com a alimentação, que consegui acabar com o colesterol elevado, bem como os triglicerídeos!     Deixei alimentos, aos quais descobri que sou intolerante: pão de trigo, bolos com farinhas de trigo e com glúten, açúcar refinado, laticínios e tudo o que seja muito processado, com conservantes e agentes levedantes químicos.     Adotei uma alimentação rica em nutrientes frescos e saudáveis, de preferência da época e da nossa região ou país.     Passei a beber água alcalina ( a de Monchique) e acabou-se o refluxo.     Mas o segredo maior foi fazer uma rotina diária que consiste em:   "Quando me levanto, em jejum, bebo um copo de água morna com o sumo de meio limão (sem adoçante ou açúcares) pois isso é como ...

Quem me dera

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Quem me dera ter asas para voar E o perfume puro da flor Quem me dera ser anjo para cantar E o regato que leva amor Quem me dera ser lareira E aquecer quem tem frio Quem me dera ser amendoeira Que de branco se cobriu Quem me dera ser foguetão Para mais depressa a ti chegar Quem me dera ser compaixão E os mais fracos amparar Quem me dera ser eu a paz E poder pôr fim à guerra Quem me dera, por fim, ser eu capaz De trazer alegria e amor à Terra! Madalena Valente (12 anos) Faro,1967

Poema Vertical

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No buraco da ocultação Tu direito Sozinho sofres Sentindo o peso Da recusa Na miséria Salão de fome Escondido rastejas Na torrente da fraqueza Apenas ganhas luta No frio e na chuva Ganhas desgraça e sofrimento dobrado Na guerra De jovem Morres abafado Pelas mãos gretadas do silêncio E no vazio Tu pensamento Vacilas de medo Pára e diz não Está na hora de gritar É preciso cantar Libertar o direito Das grilhetas do nada Que se faz monstro Pois que eu Poeta da razão Por ti canto o direito da carne Sim, eu canto o que me mandam calar E calo o que me mandam cantar Portanto tu direito Canta também O direito que te não dão E verás que no futuro A terra terá mais Pão! Madalena Valente (14 anos de idade) 1969

Paredes Negras

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Negras como carvão Escuras como a tristeza. Paredes esfoladas, Quantos abrigais por detrás Da vossa imensidão negra? Quantos tiritando ainda vos querem bem? Paredes negras, Vós que escondeis os pobres E lhes sujais o nome, Com essa vossa negridão Que mais parece fumo De chaminés de nobres. Paredes negras, Quantas mães tiveram filhos, Quantos velhos gemeram dentro de vós? Paredes negras, negras de escuridão Negras de vácuo e sem pão. Paredes negras, em vós só há angústia Só há revolta, só há tristeza Feita da indiferença dos grandes!                                                               Madalena Valente (13 anos de idade) Faro,19...

O Beijo e o Sorriso

O Beijo e o Sorriso Pedi-te um beijo Deste-me um sorriso Um sorriso que foi um beijo. E eu gostei mais do sorriso Do que gostaria de um beijo. Eu julgava que era mais fácil sorrir Do que beijar. Enganava-me… O beijo dá-se de olhos fechados, E para sorrir tem que se olhar Madalena Valente 1990

Minha Irmã

Na lentidão do tempo recordo Tento escrever Quero pensar Por um instante quero crer Crer minha irmã, que realmente existo E posso correr livre no prado Sem que deixes de chamar meu nome Quero crer minha irmã Que tudo vive como dantes E que há gestos, sorrisos ao meu lado Quero crer minha irmã Meu vento cativo no tempo Minha amiga separada, mas mais unida Meu cardo, espinho de dor Quero crer Que já não há dor esfaqueando o seio Nem gritos no meu riso Que ninguém conhece! Quero crer Que ainda existe algo oculto que me prende Algo mais que esta tristeza Que me apunhala E este meu choro disfarçado em sorrisos Ainda que esse algo sejas tu Minha irmã Quero crer, sem poder crer Que não perdi a razão de sonhar Para baixinho rezar uma oração E sorrindo te chamar sempre Minha irmã! Madalena Valente 1974

De Mãos Dadas Contigo

Um dia, no infinito do tempo, se eu pudesse  gostava de ir passear contigo, talvez quem sabe,  ao reino da fantasia, onde grandes e pequenos, novos e velhos se transformam em iguais! Iguais em beleza, em generosidade, em simpatia e amor! Sim porque essas são as qualidades que mais depressa nos lembramos e também as que mais depressa deixamos fugir! Porquê a razão deste meu desejo? Porque me sinto feia? Porque me sinto antipática? Porque me tornei velha e rabugenta, para com aqueles que me rodeiam? Ou talvez apenas, porque me tornei azeda e vazia de amor?  Não, Não é nada disso!   O tempo passou e eu, não sei bem porquê continuo igual a mim mesma, aquela que vejo por dentro, desde o dia em que nasci e abri os olhos para o Mundo.  Bonita, sim continuo bonita, mas naquele sentido em que nos perdemos num sorriso quente, num afago de palavras soltas, caídas num regaço de mãe onde, com a minha varinha de condão, eu  pararia o tempo  para ...