Poema Vertical
No buraco da ocultação
Tu direito
Sozinho sofres
Sentindo o peso
Da recusa
Na miséria
Salão de fome
Escondido rastejas
Na torrente da fraqueza
Apenas ganhas luta
No frio e na chuva
Ganhas desgraça e sofrimento
dobrado
Na guerra
De jovem
Morres abafado
Pelas mãos gretadas do
silêncio
E no vazio
Tu pensamento
Vacilas de medo
Pára e diz não
Está na hora de gritar
É preciso cantar
Libertar o direito
Das grilhetas do nada
Que se faz monstro
Pois que eu
Poeta da razão
Por ti canto o direito da
carne
Sim, eu canto o que me
mandam calar
E calo o que me mandam
cantar
Portanto tu direito
Canta também
O direito que te não dão
E verás que no futuro
A terra terá mais Pão!
Madalena Valente
(14 anos de
idade) 1969

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