Paredes Negras
Negras como
carvão
Escuras como a
tristeza.
Paredes
esfoladas,
Quantos abrigais
por detrás
Da vossa
imensidão negra?
Quantos
tiritando ainda vos querem bem?
Paredes negras,
Vós que
escondeis os pobres
E lhes sujais o
nome,
Com essa vossa
negridão
Que mais parece
fumo
De chaminés de
nobres.
Paredes negras,
Quantas mães
tiveram filhos,
Quantos velhos
gemeram dentro de vós?
Paredes negras,
negras de escuridão
Negras de vácuo
e sem pão.
Paredes negras,
em vós só há angústia
Só há revolta,
só há tristeza
Feita da indiferença
dos grandes!
Madalena Valente (13 anos de idade)
Faro,1969

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