A Cozinha - Fonte de Inspiração e Partilha
Neste espaço vou registar as minhas melhores receitas. Receitas que experimentei ao longo dos anos e que herdei de familiares, de amigos próximos e ainda de livros antigos que desde nova comecei a colecionar.
Esta será a história dos sabores, dos aromas, de rituais feitos de pequeno gestos executados nas cozinhas onde dei os primeiros passos, onde provei os primeiros rebuçados feitos, com mestria, pelas mãos vermelhas e quentes da minha avó Francisca Pestana (mãe de meu pai), mãos rápidas a enrolar caramelo a escaldar, numa enorme mesa de mármore.
Foi ela também que ensinou, à minha mãe, a fazer a massa folhada à antiga portuguesa, para confecionar os deliciosos Pastéis de Nata, receita de família que era guardada no segredo dos anjos...
Mas foi na cozinha da minha avó materna, Maria do Carmo Correia, que aprendi a amassar pão e a fazer Tiborna (pão quente com azeite e alho) que me deixava lambuzada de prazer.
Porém é da cozinha da minha mãe que me lembro mais, nas vésperas de Natal onde todos participávamos na alegria de sovar a massa das filhoses e empanadilhas, já para não falar da trabalheira que era fazer o bolo Rei, multiplicado como se fora o milagre dos pães! Foi também aí, que aprendi a dar os primeiros passos na elaboração de bolos de Natal e de Aniversário.
Não posso esquecer ainda que foi nas cozinhas das minhas tias: Maria de Natal e Cremilde, grandes doceiras, que aprendi a fazer bolos tradicionais Algarvios e outros, que faziam parte de uma enorme coleção, de receitas que tinham passado de mão em mão pelas famílias Correia e Pestana.
Nos anos 70, em casa da minha irmã treinei os meus dotes de pasteleira e decoradora de bolos, para os aniversários dos meus sobrinhos e mais tarde das minhas filhas, aí já com a ajuda da minha sogra Rosely, outra grande cozinheira e doceira, que em muito contribuiu para a minha formação culinária.
Recordo ainda outras tantas cozinhas, onde passei, cheias dos sons coloridos do vozear das mulheres, cheias do calor dos temperos antigos, das tradições, que passaram de boca a boca, de mão em mão na azáfama de adoçar a alma dos entes queridos.
Não posso deixar de lembrar também os bons momentos passados na cozinha da minha amiga Natália, onde com a sua mãe, amassamos pão, folares,... e nos deleitámos em grandes jantaradas, no pátio da sua casa.
Mas onde recebi os primeiros diplomas oficiais de Pastelaria, foi no centro de formação de Loulé, onde ao lado de profissionais a sério aprendi a confecionar desde biscoitos a bolos de noiva e por aí adiante. Belos tempos onde conheci novas pessoas que me proporcionaram enriquecer ainda mais os meus conhecimentos.
Enfim já alguém dizia que a cozinha é um laboratório, onde se misturam os ingredientes, a imaginação, a sabedoria e o carinho, à qual eu acrescento aquela magia que sempre brilhou no fundo dos meus olhos, na ponta dos meus dedos...
Madalena
Valente
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