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O Homem que quer afiar o machado

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Esta história que vos vou contar hoje tem a ver com a hipocrisia e as falsas palavras de amabilidade que certas pessoas usam para nos comprar a atenção e simpatia. Ela serve de lição aos mais novos e aos ingénuos incautos. É uma história muito antiga que me foi contada pelo meu avô materno, na sua sabedoria de homem vivido e viajado, que lutou na Primeira Guerra Mundial. Há muitos anos atrás, no tempo em que ainda não havia eletricidade e tudo era feito à mão, vivia numa aldeia um rapazinho, de pouca idade, cujo pai era amolador de facas e machados. Numa fria manhã de Inverno, estava ele sentado à soleira da sua porta e veio ter com ele um homem que segurava, nas mãos um reluzente machado, ainda por afiar. O homem em falas mansas perguntou ao rapaz: - Meu querido rapazinho, não terá, por acaso, o teu pai uma pedra ou roda de afiar?  - Tem sim, meu senhor - apressou-se o rapaz em responder. - Como tu és bonito e forte, deves ser o rapaz mais bonito aqui da aldeia! Mas ol...

Amo-te

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Olho a cortina do tempo Envolto em neblina, Onde o verde amadurece,  Nas bagas do teu olhar; E eu desejo gritar, Um grito vindo das minhas entranhas, Que se espalha no ar e vibra nas estrelas, Feito eco a cantar o meu amor às montanhas. Olho o horizonte lá longe E tu tão perto ao meu lado. Perscruto o espaço onde se reflete o universo,  Policromado de sentimentos ternos, Feito de abraços, no sorriso dos  meus lábios. Sinto o ar que respiras, como fonte quente Que me embala e segura num deleite sem pressa; Encosto a cabeça no teu ombro e sem medo Digo, sussurro: Amo-te! Madalena Valente

Alimentação Saudável - Colesterol

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C ada vez mais é preciso estar informados sobre a origem dos produtos que comemos .      Nós somos aquilo que comemos (já dizia Hipócrates, o pai da medicina) e eu sou uma das provas disso, pois foi só com a alimentação, que consegui acabar com o colesterol elevado, bem como os triglicerídeos!     Deixei alimentos, aos quais descobri que sou intolerante: pão de trigo, bolos com farinhas de trigo e com glúten, açúcar refinado, laticínios e tudo o que seja muito processado, com conservantes e agentes levedantes químicos.     Adotei uma alimentação rica em nutrientes frescos e saudáveis, de preferência da época e da nossa região ou país.     Passei a beber água alcalina ( a de Monchique) e acabou-se o refluxo.     Mas o segredo maior foi fazer uma rotina diária que consiste em:   "Quando me levanto, em jejum, bebo um copo de água morna com o sumo de meio limão (sem adoçante ou açúcares) pois isso é como ...

Quem me dera

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Quem me dera ter asas para voar E o perfume puro da flor Quem me dera ser anjo para cantar E o regato que leva amor Quem me dera ser lareira E aquecer quem tem frio Quem me dera ser amendoeira Que de branco se cobriu Quem me dera ser foguetão Para mais depressa a ti chegar Quem me dera ser compaixão E os mais fracos amparar Quem me dera ser eu a paz E poder pôr fim à guerra Quem me dera, por fim, ser eu capaz De trazer alegria e amor à Terra! Madalena Valente (12 anos) Faro,1967

Poema Vertical

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No buraco da ocultação Tu direito Sozinho sofres Sentindo o peso Da recusa Na miséria Salão de fome Escondido rastejas Na torrente da fraqueza Apenas ganhas luta No frio e na chuva Ganhas desgraça e sofrimento dobrado Na guerra De jovem Morres abafado Pelas mãos gretadas do silêncio E no vazio Tu pensamento Vacilas de medo Pára e diz não Está na hora de gritar É preciso cantar Libertar o direito Das grilhetas do nada Que se faz monstro Pois que eu Poeta da razão Por ti canto o direito da carne Sim, eu canto o que me mandam calar E calo o que me mandam cantar Portanto tu direito Canta também O direito que te não dão E verás que no futuro A terra terá mais Pão! Madalena Valente (14 anos de idade) 1969

Paredes Negras

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Negras como carvão Escuras como a tristeza. Paredes esfoladas, Quantos abrigais por detrás Da vossa imensidão negra? Quantos tiritando ainda vos querem bem? Paredes negras, Vós que escondeis os pobres E lhes sujais o nome, Com essa vossa negridão Que mais parece fumo De chaminés de nobres. Paredes negras, Quantas mães tiveram filhos, Quantos velhos gemeram dentro de vós? Paredes negras, negras de escuridão Negras de vácuo e sem pão. Paredes negras, em vós só há angústia Só há revolta, só há tristeza Feita da indiferença dos grandes!                                                               Madalena Valente (13 anos de idade) Faro,19...

O Beijo e o Sorriso

O Beijo e o Sorriso Pedi-te um beijo Deste-me um sorriso Um sorriso que foi um beijo. E eu gostei mais do sorriso Do que gostaria de um beijo. Eu julgava que era mais fácil sorrir Do que beijar. Enganava-me… O beijo dá-se de olhos fechados, E para sorrir tem que se olhar Madalena Valente 1990